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Cortiça Portuguesa

cortiça PortugalOs sobreiros vivem mais de dois séculos, atingem a maturidade apenas aos 25 anos e deles dependem 100 mil pessoas que, de nove em nove anos, lhe extraem a «casca» para a usar nas mais diversas finalidades. Estão presentes entre nós há milhões de anos. São uma espécie autóctone portuguesa, responsável pelas paisagens típicas do sul e por um ecossistema humanizado mas equilibrado – o montado de sobro – propício à pastorícia e à criação animal.

Portugal é o principal exportador mundial de cortiça, produto hoje utilizado não só nas rolhas que preservam vinhos em todo o mundo mas, também, na indústria do calçado, na automóvel, em materiais de construção e de isolamento, em peças de design e de mobiliário e, claro, no artesanato de origem popular.

A utilização da cortiça em novos produtos e propostas arrojadas tem sido bem sucedida. No final de Outubro, o arquitecto português David Mares, 26 anos, ganhou o prémio do público num concurso internacional de design promovido pelo Museu Guggenheim de Nova Iorque. A sua proposta? Um abrigo instalado no Vale dos Barris, na Serra da Arrábida, quase integralmente revestido a cortiça. Em Esposende, uma casa de cerca de 150 metros, assinada pelo atelier Arquitectos Anónimos, do Porto, foi revestida a tijolo de cortiça, ganhando entre os locais o sugestivo nome de «a rolha». Cinco designers portugueses do atelier CorqueDesign têm, também, usado o tradicional material na produção dos mais extravagantes objectos do quotidiano, como candelabros, cadeiras, mesas e, até, frappés!

Em Portugal estima-se que existam aproximadamente cerca de 700 mil hectares de montado de sobro, sobretudo no Sul e no Ribatejo sendo, por isso, a maior mancha florestal desta espécie, em todo o mundo. Mas os sobreiros estão ainda distribuídos pelo Norte de África e por Espanha – é uma espécie emblemática da bacia mediterrânica, berço das civilizações modernas – onde desempenham importantes funções ambientais. Retêm dióxido de carbono, minimizam a erosão dos solos e aumentam os níveis de humidade nas terras, tendo maior importância em zonas do planeta ciclicamente afectadas por secas extremas. Por tudo isto, viva a cortiça!

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Publicado em 20.12.2009 por admin

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